Juventude ILHA

 

 

                               

O Processo da Educação

Não foi fácil para Jesus formar seus discípulos e suas discípulas. Pois não é pelo simples fato de uma pessoa andar com Jesus ou de viver em comunidade, que ela já é santa e educada. A maior dificuldade vinha do “fermento dos fariseus e de Herodes”  (Mc 8,15), isto é , da propaganda do governo e a religião da época. Combater a mentalidade deste fermento fazia parte da educação que Jesus dava aos discípulos. E não era uma tarefa fácil. Pois o modo de pensar dos grandes é como tiririca na cabeça dos pequenos. Você pensa que arrancou, mas logo depois ela aparece de novo! Nos discípulos, o fermento, a mentalidade antiga, levantava a cabeça, cada vez de novo. O Evangelho de Lucas nos dá vários exemplos de como Jesus enfrentava este problema na educação dos seus discípulos e das suas discípulas. Vejamos:

Lucas 9,46-48: Os discípulos brigam entre si para saber qual deles é o maior. Esta mentalidade de competição e de luta pelo poder caracterizava a sociedade do Império Romano, e ela já se infiltrava na pequena comunidade de Jesus que estava apenas começando! Jesus manda ter a mentalidade contrária. Ele coloca uma criança a seu lado e identifica-se com ela dizendo: “Quem acolhe a um pequeno como este, acolhe a mim. E quem acolhe a mim, acolhe o Pai!”. Os discípulos discutiam qual dele seriam o maior, e Jesus manda olhar e acolher ao menor!

Lucas 9, 49-50: Alguém que não era da comunidade, usava o nome de Jesus para expulsar demônios. João viu e proibiu: “Impedimos, porque ele não anda conosco”. Em nome da comunidade João impediu uma ação boa! Ele pensava ser dono de Jesus e queria proibir que os outros usassem o nome de Jesus para realizar o bem. Queria uma comunidade fechada sobre si mesma. Era uma mentalidade antiga de “Povo eleito, Povo separado!”. Jesus responde “Não impeçam! Quem não é contra é a favor!” O objetivo da educação não pode levar a um sentimento de privilégio de posse, mas deve levar a uma atitude de serviço. Para Jesus, o que importa não é se a pessoa faz ou não faz parte da comunidade, mas sim se ela faz ou não o bem que a comunidade deve realizar.

Estes poucos exemplos, mostram como era lento e doloroso o processo educativo dos discípulos de Jesus. Não é fácil fazer nascer uma nova experiência de Deus, uma nova visão a vida e do próximo. É como nascer de novo! (Jo 3, 5-9) Onde é que hoje a mentalidade antiga renasce e reaparece na vida das pessoas, das famílias e das comunidades? Como a combatemos?

 

Frei Carlos Mesters, carmelita.