Ainda uma vez o
processo
da Educação
Certa
vez, Jesus tentou explicar aos discípulos que ele ia ser
preso e morto. Mas eles não compreenderam. Lucas diz que esta palavra sobre a cruz
“estava escondida a eles, para que não a compreendessem” (Lc 9,
45). Escondida por que? Porque na cabeça e nos olhos deles estava o
“fermento dos fariseus e de Herodes”(Mc 8,15). Instruídos pela
propaganda oficial, eles esperavam um Messias glorioso. Como diz o
nosso canto: “Eles queriam um grande rei que fosse forte e
dominador”. Por isso não podiam compreender a palavra sobre a
Cruz.. Além disso, os discípulos tinham medo de fazer perguntas (
Lc 9,45). Parece que não queriam que Jesus descobrissem a
ignorância deles. Faltava sinceridade. Mas Jesus desistia. Com
paciência e muito jeito procurava ajudá-los a superar o problema.
Eis
mais alguns exemplos do jeito que Jesus tinha na educação dos
discípulos e das discípulas. Era a maneira de ele dar forma humana
à experiência que ele mesmo tinha de Deus como Pai.
-
envolve-os
na missão e, na volta, faz revisão com eles ( Lc 9, 1-2; 10,
1-12. 17-20)
-
corrige-os
quando erram(Lc 9, 46-50)
-
ajuda-os
s discernir (Mc 9, 28-29)
-
interpela
quando são lentos (Mc 4, 13; 8, 14-21)
-
prepara-os
para o conflito (Mt, 10,17s)
-
reflete
com eles as questões do momento( Lc 13, 1-5)
-
manda
observar a realidade (Mc 8,27-29;
Jo 4, 35 ;Mt 16, 1-3)
-
confronta-os
com as necessidades do povo que estão acima das prescrições
rituais (Mt 12, 7.12)
-
defende-os
quando são criticados pelos adversários (Mc 2,19; 7, 5-13)
-
cuida
do descanso deles e pensa na alimentação9 Mc 6, 31; Jo 21, 9)
-
tem
momentos a sós com eles para poder instruí-los ( Mc 4,34; 7,
17; 9, 30-31; 10, 10)
-
insiste
na vigilância e ensina-os a rezar( Lc 11, 1-13; Mt 6, 5-15)
Jesus
não media esforços para formar e educar sus discípulos e suas
discípulas. Dedicava muito tempo a isto. Nem sempre teve bom
êxito. Judas o traiu, Pedro o negou e , na hora da prisão, todos o
abandonaram. Só as mulheres e João ficaram perto dele junto a
cruz. Mas o Espírito Santo, que Jesus nos enviou depois da
ressurreição, foi completando a obra iniciada por ele (Jo 14, 26;
16, 13)
Frei
Carlos Mesters, carmelita.
|