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NATAL OUTRA VEZ
OBJETIVO:
Celebrar o Natal junto com as famílias e comunidade.
MÚSICA:
natalinas em geral.
MENSAGEM:
não há.
DESCRIÇÃO: Drama
em um ato.
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| Personagens: |
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Maria:
jovem (nordestina) sem instrução, mas com uma fé inabalável
em Deus e Nossa Senhora.
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José:
homem (nordestino) sofrido, que trouxe a família para
Rio de Janeiro com a esperança de vida nova; chegando
aqui encontrou a realidade
da cidade grande.
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Jornalista
Chefe, 1 e 2: representam a própria sociedade e seus
homens de coração de pedra.
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Dona
Ana Cristina: como o próprio nome diz mulher cheia de
graça que acredita em Deus, representa as pessoas boas
desse mundo.
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Papai
Noel: alusão ao natal.
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Pessoas
1 e 2: representa populares.
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A
cena se passa no Rio de Janeiro nos dias atuais.
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| Papai Noel
distribui balas para todos. Então pára e distribui pequenos
presentes a um grupo de crianças pobres, quando chega a
reportagem de TV. |
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Papai Noel - Feliz
Natal! Feliz Natal! Feliz Natal para todos vocês.
Jornalista 1 - O Natal das crianças
pobres é o maior sucesso aqui no bairro Fim-de-mundo
perto de lugar nenhum;. É o resultado da campanha Natal dos
Pobres; organizado pelas Liga das senhoras católicas. Vejam só
a cara de felicidade desses garotos.(Pega um menino pelo,
arrasta-o para a frente das câmaras...)
Jornalista 1 - Diga
obrigado a essas senhoras que lhe deram presente. (o garoto não
fala nada)
Jornalista 2 - Ele é muito tímido.
Mas vocês que estão nos assistindo nesse momento podem
sentir o grau de felicidade dessa linda criança. Rede Bobo no
Natal 2005 |
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| Cena
II |
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| Maria e José
entram enquanto o jornalista sai. Maria com a barriga grande,
caminha cansada. Olham com espanto o movimento. Alguém,com as
mãos cheias de sacolas esbarra em Maria. |
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JOSÉ - Povo sem
educação.
MARIA - Eles acham que são
donos do mundo.
JOSÉ - E sempre andam
apressados...
MARIA - apressado tá o meu
menino, aqui. Desde essa noite que o coitado anda me metendo
os pés querendo sair.
JOSÉ - Eu só queria uma casa
para morar. Não queria essas
bugigangas,não.
MARIA -- Eles compram até
sabonete para cachorro. Onde já se viu?
JOSÉ (Olhando interessado)
É, mas pensando bem... até que tem umas mais.
MARIA -- E é só pra ver mesmo.
Porque a gente só pode olhar e nada mais.
JOSÉ (No fundo do palco parece
ver um bicicleta) Maria, Maria vem ver só. Aquela bicicleta
eu ajudei a fazer!
MARIA -- E a gente andando a pé.
JOSÉ (Sentam-se, enquanto, as
pessoas com sacolas passam por eles sem notar) -- É, Maria,
acho que você tem razão. Pobre não tem Natal.
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| Ao lado deles
duas pessoas conversam |
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Pessoa 1-- Mas você
viu que absurdo! Os seqüestros estão aumentando. Em Belo
Horizonte durou quase um mês o seqüestro da menina Rafaela.
Pessoa 2 -- E os pais
tiveram que pagar um resgate de muito dinheiro. (Maria fica
assustada com o que ouve)
MARIA -- José, homem de Deus!
Vamos s'imbora desse lugar. Você ouviu o que o
pessoal tava falando, aí?
JOSÉ -- Eu não prestei atenção.
MARIA -- falaram aí que andam seqüestrando
crianças. Eu não sei bem o que quer dizer isso, mas boa
coisa é que não deve ser. Minha criancinha ninguém
maltrata, não! Vamos sair logo daqui. (Levantam e saem
apressados). |
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| CENA III |
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| Numa sala dois jornalistas e o chefe discutem as matérias
feitas na rua. |
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Jornalista Chefe (Olhando imagens em um televisor)-- Tudo igual,
tudo igual. Vocês bem que poderiam ser um pouquinho criativos, não?
Jornalita 2 - Criativo como? No Natal não acontece nada de
novo. É a mesmice de todos os anos. As pessoas fazem as mesmas compras...
Jornalista 1 - Mandam dezenas de cartões com as mesmas
mensagens... paz, amor, fraternidade, Feliz Natal;, essas coisas...
Jornalista 2 - O padre faz o mesmo sermão na missa de Natal.
Jornalista 1 - E os políticos repetem os mesmos discursos
falsos.
Jornalista Chefe - E essas imagens aqui? O que significa essa
bagunça?
Jornalista 2 - Ah! Isso aí foi uma manifestação de um
grupinho de moradores do bairro Fim-de-mundo.
Jornalista 1 - Houve um festa do Natal das crianças pobres,
promovida pela Liga das Senhoras Católicas e aí...
Jornalista 2 - Aí, no meio da festa, apareceu um bando de gente
com faixas e cartazes, exigindo casa para morar, escola e saúde para os
moradores e um monte de coisas.
Jornalista Chefe - Bem, naturalmente que ninguém gostaria de ver
imagem desse tipo na noite de Natal.
Jornalista 1 - Claro! Chefe! O pessoal quer ver coisas bonitas.
Festas, comemorações, Papai Noel, presentes, luzes, brilho, muito
brilho!
Jornalista 2 - Sem esquecer do especial com Roberto Carlos.
Jornalista Chefe - Tudo bem rapazes, vamos editar as matérias. (Se
retiram).
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Cena IV |
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| Maria e José estão numa casa simples. Maria deitada,
segurando
uma
criança. Ao redor, José e uns vizinhos...) |
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MARIA - Ah, que alívio! Eu não sei como agradecer a
vocês!
JOSÉ - Não fosse a caridade de dona Ana e o nosso
filho ia nascer no meio da rua.
ANA CRISTINA - Não tem o que agradecer não, gente! A casa é
pequena mas o coração e grande. E depois, como é que eu ia deixar vocês
nessa situação?
MARIA - Mas será que não estragamos sua festa de
Natal?
ANA CRISTINA- Estragar meu Natal? (Fica pensativa por uns
instantes) Olha, eu vou contar um segredo para vocês. Quando eu vi vocês
desesperados, sem saber para onde ir, Maria quase botando o menino para fora,
eu pensei cá com meus botões: será que eu posso ter um Natal feliz,
assim, de braços cruzados? Aí eu disse para mim mesma: esse é o
menino Jesus que tá querendo nascer aqui na minha casinha.
MARIA - Menino Jesus?
ANA CRISTINA - Sim, o menino Jesus em carne e osso! Esse
magrelinho que você botou no mundo. Minha morada de repente se encheu de luz, por
causa desse menino. E eu tô contente. Tô feliz da vida!
MARIA - Mais feliz do que eu, a senhora não tá não!
JOSÉ - É o nosso primeiro filho...
MARIA -Menino que vem numa hora difícil, cheia de
medo...
ANA CRISTINA - E de esperança, Maria! Esperança que um dia
todas as portas serão escancaradas e os pobres vão se unir numa corrente só,
cantando, bebendo, sorrindo, vivendo o Natal!
JOSÉ - Ah! Dona Ana, nesse dia o povo vai ser feliz
de
verdade!
MARIA - E porque não fazer festa hoje? Nosso filho
nasceu, Dona Ana e seu pessoal nos acolheu, hoje é Natal!
ANA CRISTINA - Maria tem toda razão! Eu vou lá dentro ligar o
toca-fitas com uma boa música pra gente dançar. Seu Raimundo vai buscar a
garrafa de vinho, dona Helena pode fazer um bolo, dona Gertrudes traz uns
pastéis... Vamos festejar! (A peça termina com uma
pequena festa ao redor de Maria e do seu Filho) |
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FIM
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